Jornalista, âncora de telejornal, comentarista de rádio e idealizador e apresentador do programa Cidades e Soluções. Quem conjuga tudo isso é André Trigueiro, que desde cedo expandiu os horizontes de seu jornalismo para, mais que reportar, também militar. A área em que amplifica ideias e ideais é o meio ambiente – onde combina a paixão à ecologia e comunicação. Já cursou uma pós-graduação na área ambiental pela UFRJ e, depois, criou uma na PUC-Rio. Escreveu um dos capítulos e coordenou a elaboração do livro “Meio Ambiente no século XXI”, em 2003, e dois anos depois escreveu um sozinho – Mundo Sustentável. Mais recentemente, este espírita de carteirinha lançou Espiritismo e Ecologia, onde analisa o que as duas “ciências” têm em comum. Além de livros, ele também coleciona prêmios pelo jornalismo comprometido – já passam de dez. Até a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, mais importante comenda do município do Rio de Janeiro, já entrou para a coleção. Tanto reconhecimento tem um motivo: o discurso afinado e coerente sobre tudo que tem a ver com essa tal de sustentabilidade. E, em sua palestra, ele mostrou como o consumo, nos moldes como se dá hoje em dia, não é nada sustentável.
Andrew Essex
Ele ostentou por anos cargos na The New Yorker, foi editor executivo da Details, fundador e editor da Absolut, trabalhou em outras revistas de renome e escreveu livros. Até que, em 2006, esse jornalista nova iorquino passou para o outro lado do balcão, ao assumir o cargo de CEO da então nascente Droga5, agência publicitária que faz muito mais do que publicidade – subverte padrões. Este é Andrew Essex, para quem trabalhar na Droga5, eleita pelo The Guardian “a mais excitante agência do mundo”, é estar no meio de um novo paradigma. Isso ficou óbvio com o Tap Project, esforço de arrecadação de fundos para o Unicef que não só criou um novo paradigma, mas também ganhou todos os prêmios possíveis. Pai de duas crianças, Essex é adepto da ideia de que qualquer coisa é possível. Na Droga 5, ele comprova isso todo dia, criando de roteiros a avatares, tendo como clientes desde agências das Nações Unidas a companhias de wireless pré-pago. Ele acredita que é possível tornar as marcas estrelas de um show, em vez de convidadas indesejadas. Definindo-se como energizado, despretensioso e de altura mediana, ele aconselha duas coisas aos principiantes: não tomar o caminho seguro e sempre presumir que não se sabe o suficiente. Como ele coloca isso em prática para ajudar a criar os tais novos paradigmas? É o que ele contou durante o TEDxSudeste, na sua palestra sobre uso de smartphones da educação.
Cezar Taurion

Se tivesse levado a cabo o projeto adolescente de ser uma estrela do rock tocando baixo, ele bem que poderia ter sido carregado para a loucura do show business. Ou, se tivesse seguido a família, ligada ao ramo da aviação, teria engrenado uma carreira de piloto – chegou a tirar o brevê e a trabalhar no ramo de táxi aéreo. Para sorte de muitos, inclusive a dele próprio, acabou reprovado no exame de vista da aviação comercial. A verdade é que Cezar Taurion, agora gerente de novas tecnologias da IBM Brasil, pertencia mesmo a outras nuvens: particularmente, àquelas que hospedam a rede mundial de computadores.
Apesar da formação em aviação, o último lugar no qual a cabeça de Taurion está é nas nuvens. Ele está preocupado com o planeta aqui embaixo e principalmente com o mau uso dos recursos naturais deste local chamado Terra. Mais: ele sonha com um mundo mais criativo e trabalha como evangelizador da inteligência coletiva. Que precisa, como não pode deixar de ser, da palavra colaboração. Ou seja, a máxima de que “uma andorinha só não faz verão” se torna realidade na mente deste executivo que admite: ainda acredita no potencial das pessoas. No TEDxSudeste, ele falou sobre o compartilhamento de capacidade de processamento de computadores para a busca da cura do câncer.
Christian Rôças
Ele é uma máquina. Irrequieto, irreverente e com uma energia inesgotável, herança de família, este jornalista é daqueles que não se conformam com a mesmice. Em busca de alguma coisa que lhe trouxesse prazer, abandonou empregos que fariam qualquer um babar. Incansável em busca de novas experiências, criou uma empresa cujo nome tem tudo a ver com seu perfil – “Gruda em mim que o boi não te lambe”, agência de conteúdo e relacionamento em multiplataformas. Christian não tem medo de ousar. Tanto que foi o acompanhante mais que perfeito de Gilberto Gil na turnê interativa mundial “Banda Larga”, que experimentou temas como Creative Commons, novas formas de distribuição de música, relacionamento ídolo x público e posicionamento do artista como veículo produtor de seu próprio conteúdo. O projeto teve duração de dois anos e viajou por todo o Brasil, Estados Unidos, Canadá, Europa, África e Oriente Médio. Mal voltou da turnê, Christian arregaçou as mangas e partiu em busca de novas aventuras e projetos arrojados – atualmente, trabalha com bandas como Capital Inicial, Nando Reis, Cachorro Grande, Cesar Menotti e Fabiano e com a atriz Juliana Paes. Afinal, por que ficar parado se a mente vive a mil por hora, borbulhando de invenções? Com a sua palestra, ele mostrou os bastidores do projeto Banda LargaCordel e falou sobre o nascimento de uma nova forma, colaborativa, de relacionamento do artista com seu público.
Fred Gelli
Dentro das “embalagens” feitas pela própria natureza, para envolver frutas, estava também a inspiração, no final dos anos 80, para o então estudante de Desenho Industrial Frederico Gelli começar a projetar embalagens tão fáceis de fazer quanto geniais. Formas mais orgânicas, encaixes em vez de cola, menos trabalho, mais raciocínio. Era o embrião da estilosa Tátil Design de Ideias, que hoje angaria seguidores e admiração, com uma bagagem de mais de 70 prêmios nacionais e internacionais. Foi uma das pioneiras em usar papel reciclado no país, e o respeito à natureza continua permeando produtos e ideias. Tanto que a Tátil é a 1ª empresa de design do Brasil que possui um núcleo de Ecoinovação com o intuito de desenvolver soluções de baixo impacto ambiental e alto impacto sensorial. Essa ecopaixão vem sendo posta em prática não só no design da Tátil, mas também no curso de graduação em Desenho Industrial e Comunicação Visual na PUC/Rio, onde inaugurou, em 2008, o curso de Ecoinovação.
Fred já recebeu o Leão no Cannes Lions 2009, o ouro no IDEA Brasil 2009 e o iF Design Award em 2004 e 2006. Em 2009, ministrou um workshop sobre o Branding 3.0 no Cannes Lions e, em 2008, foi o primeiro brasileiro a julgar o Design no Cannes Lions, na categoria Packaging Design, Brand Identity e Environmental Design. Com tudo isso na bagagem, dava para falar mais alguma coisa? Até dava – e foi isso que fez no TEDxSudeste, onde falou sobre biomemética.
Gil Giardelli
Empreender sem perder a ternura e a capacidade de sonhar. Disso, Gil Giardelli, um dos maiores especialistas brasileiros em cultura digital, entende bem. Ele começou a carreira aos 14 anos como office boy e todo dinheiro que ganhava usava para aumentar a coleção de selos, hobby que mantém até hoje. Logo em seguida, passou a coordenar matinês para a juventude na famosa danceteria paulistana Up &Down. Daí para virar sócio de dois bares foi um pulo. Mas aos 20 anos entrou em crise existencial – a mistura gostar de acordar cedo/formação em desenho industrial pesou e ele foi ser monitor da XXIII Bienal Internacional de São Paulo. Isso durou quase um ano, que ele considera uma “pós graduação” do mundo das artes. Acabou indo trabalhar em agências de comunicação internacional, onde descobriu o quanto o mundo é pequenino. Assim partiu, mochilão nas costas, e andarilhou por 23 países. Em dois, trabalhou como garçom. Quando voltou ao Brasil, abriu empresas e hoje faz parte de cinco delas. Também coordena quatro cursos no Centro de inovação e criatividade (CIC) da ESPM. Além dos selos, é louco por bonsais e coleciona caixinhas de música e fãs. Corre todos os dias “para esquecer os noticiários 24 horas, discursos e entrevistas sem pé nem cabeça, escândalos das vacas de Renan e comoções mundiais instantâneas”. Adora tudo o que faz mas orgulha-se de ter ajudado na “startup” chamada Casa Hope – Casa de apoio a criança com Cancêr. Deu aula de desenho durante anos para crianças num orfanato e toda quarta-feira trabalha como voluntário numa livraria espírita. Como se definiria em uma frase? “Não podemos usar velhos mapas para descobrir novas terras”. No TEDxSudeste, ele falou sobre webcidadania.
Guto Indio da Costa
Sinônimo de bom gosto e sofisticação, Luis Augusto “Guto” Indio da Costa é referência em design no país e no exterior. Ele cursou dois anos de Desenho Industrial na UniverCidade, mas acabou optando pelos estudos no Art Center College of Design, na Califórnia, onde se graduou. No mercado há mais de 15 anos, ele coleciona bons projetos, como o ventilador de teto Spirit, que lhe rendeu prêmios nacionais e internacionais, e a carteira escolar inclusiva, que possibilita que cadeiras de rodas entrem por debaixo da mesa atendendo a crianças portadoras, ou não, de necessidades especiais. Além, é claro, das geladeiras e fogões populares e dos quiosques envidraçados que estão sendo instalados na Orla do Rio de Janeiro. Referência na área, ele viu, recentemente, sua história se transformar no livro “Indio da Costa”, de Evelise Grunow. O livro aborda seu modo de criação, projetos e metodologias de trabalho. Diretor do escritório Indio da Costa Design, no Rio de Janeiro esse carioca da gema adora viajar e conhecer pessoas. “Mobilidade urbana sustentável” foi o tema de sua palestra.
Jaime Lerner
Foi ele quem criou o famoso sistema de ônibus de Curitiba (PR) e promoveu outras novidades que fizeram da cidade referência mundial em urbanismo. Sua visão urbanística levou a três mandatos como prefeito de Curitiba e dois como governador do Paraná e também ao cargo de consultor das Nações Unidas para Assuntos Urbanos. “Criatividade começa quando se corta um zero do orçamento”, costuma dizer e inspirar. E essa criatividade já colocou em prática diversas vezes. Uma das mais emblemáticas foi quando teve que frear os planos do Automóvel Clube, que ameaçava fazer uma carreata para impedir as mudanças em uma rua central da capital paranaense. No mesmo dia e horário previsto para a manifestação, Lerner colocou hordas de crianças desenhando no chão do local. Resultado: carreata cancelada, mudanças feitas e criatividade comprovada.
Com a mesma genialidade e paixão, costuma defender que é preciso “metronizar a superfície”, reinventar as cidades, não sobrepor sistemas, nunca confiar em só uma solução e sempre compartilhar espaços – tudo dealguma forma ligado à colaboração. Outras dessas ideias mirabolantes criadas sem zeros no orçamento ele contou no TEDxSudeste, onde defendeu que “inovar é começar”.
Jean Paul Ganem
Fazer áreas antes degradadas se tornarem obras de arte urbanas, tendo a natureza como matéria-prima e a colaboração como ferramenta. Essa é a paixão do tunisiano Jean Paul Ganem, artista plástico que realiza projetos de intervenções paisagísticas modificando um espaço urbano com jardins. O primeiro foi em 1992, na França. De lá para cá, outras 50 “composições agriculturais” já foram feitas pelo artista, sempre em colaboração com as atividades humanas existentes nestes locais. O ponto alto nesta trajetória é o Jardin du Capteur, no Canadá, uma obra realizada a convite do Cirque du Soleil em um dos maiores aterros sanitários da cidade de Montreal. O Brasil é a próxima parada: Ganem já está trabalhando em um projeto na antiga favela da Aldeinha, na Marginal Tietê, de onde foram removidas mais de 500 famílias. Sua ideia é criar um “parque efêmero” no local, em um projeto que vai durar três anos. Como isso está sendo feito e o que isso tem de colaboração? Ele contou no TEDxSudeste.
Jeronimo Ramos
Responsável pela área de microcrédito do Grupo Santander Brasil há dois anos, Jeronimo Ramos atua desde 2000 com clientes de baixa renda. E acha isso um presente. Principalmente porque acredita que microcrédito e colaboração partem da mesma base: confiança. Atualmente com 52 anos, já esqueceu a idade quando teve que comprar um presente para o filho Rafael e, chegando à loja, encontrou um brinquedo de sua infância – um patinete de rodas de rolimã. Acabou comprando um presente para si e esquecendo o do filho. Amante declarado de leitura, traz no histórico a atuação em iniciativas sociais voltados para a educação. Hoje participa de um projeto para instalar uma biblioteca na comunidade carente de Jardim Colombo, em São Paulo. Quando não está analisando pedidos de crédito nem angariando livros para a biblioteca, ocupa-se de acompanhar os estudos do filho, colecionar álbuns de figurinhas de Copa do Mundo como “hobby”, ouvir música sertaneja e ver filmes de aventura. No TEDxSudeste, ele falou sobre “relações de confiança”.
John Perry Barlow
Letrista da banda “Grateful Dead”, ciberlibertário, ativista político, poeta, ensaísta, cowboy…este americano de 62 anos, natural do estado de Wyoming, é muitos em um só. Na juventude chegou a trabalhar numa empresa da família especializada em reprodução animal, mas decidiu seguir carreira tendo como matéria-prima a palavra e sua história (pessoal e profissional) mistura-se com a da rede mundial de computadores. Escreve há muitos anos para as celebradas revistas Wired e Time, para o jornal “The New York Times” e para o site Nerve. Por conta do trabalho com a famosa banda, em 1986 Barlow uniu-se à Whole Earth ‘Lectronic Link, conhecida como The WELL, comunidade virtual que contava com a presença massiva dos chamados Deadhead, fãs incondicionais do Grateful Dead. Fez parte da diretoria da WELL durante anos, e em 1990 criou uma organização ousada: a Electronic Frontier Foundation (EFF), entidade responsável pela mediação de conflitos entre o mundo virtual e o real, criando “uma parede que proteja o ciberespaço dos governos ‘territoriais’, especialmente o dos EUA”. É de Barlow a autoria não só do termo “Ciberespaço” como da Declaração de Independência deste. Amigo próximo do falecido John Kennedy Jr., tem três filhas e foi casado duas vezes. Apaixonante e apaixonado, Barlow é um mestre das palavras e das ideias. Durante o TEDxSudeste, ele falou que o Brasil não só pode, como deve apresentar e espalhar pelo mundo tudo aquilo que o país é.
Karen Worcman
Já na faculdade de História da Universidade Federal Fluminense, Karen Worcman descobriu sua missão de registrar histórias de vida. A revelação ocorreu durante uma entrevista com um casal de judeus. De lá pra cá, são 19 anos trabalhando na captação de relatos de pessoas simples. O projeto que ganhou vida, em 1991, com a criação do Museu da Pessoa, conta com mais de 12 mil depoimentos que podem ser vistos pela internet. Na maioria das vezes são histórias de pessoas comuns, que se oferecem para contar em alguns minutos suas experiências de vida, servindo de exemplo para as demais. O que não falta é história para Karen contar. E foi o que ela fez no TEDxSudeste, onde contou que “pessoas são pessoas: por que uma história pode mudar seu jeito de ver o mundo”.
Karina Israel
Um mestrado sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade foi o que levou a brasileira Karina Israel a se assombrar com o mundo da realidade aumentada (RA). Dona de um vocabulário cheio de expressões tecnológicas, empolga-se fácil quando o assunto envolve jogos para celular baseados em localização real (Location Based Games), publicidade interativa baseada em NUI (Natural User Interface), captação do ambiente em 3D, Embodied AR e outras inovações que só os techies dominam.
De 2001 para cá, ela passou de estagiária da YDreams em Portugal a diretora executiva da empresa no Brasil. Empenhada em desenvolver estratégias para buscar os limites do potencial de realidade aumentada, ela é tarimbada nos assuntos de internet: começou a trabalhar na área em 1994, antes do boom, e já estava exausta antes da bolha. O que ela mais gosta de fazer quando está na realidade de “tamanho normal” é pintar – sua paixão é o acrílico -, esquiar, ouvir samba e cozinhar assados, habilidade aprendida nos oito anos morando em Lisboa.
Atualmente envolvida na criação de exposições sobre a vida e a obra de Ziraldo, Ana Maria Machado e Noel Rosa, já fez curso de maquiagem, teatro, culinária e pós-graduação em gestão de empresas, sempre movida por um lema: “quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”. No TEDxSudeste, ela pegou inspiração em desenhos animados, falou sobre “visão além do alcance” e mostrou como consegue aumentar realidades.
Kelly Michel
Seu sonho de adolescente era fazer artes plásticas, mas acabou cursando Administração de Empresas em Paris e descobriu uma nova paixão: ajudar pessoas a empreenderem e mudarem de vida. Daí em diante, a norte-americana se aproximou de ONGs inglesas, aproximou-se do tema da reinserção de mulheres desempregadas no mercado de trabalho e começou a perceber que modelos antigos em projetos sociais poderiam ser otimizados. Foi assim que a jovem Kelly, então com 21 anos, montou a Artemisia, organização que busca formar pessoas qualificadas para reduzir desigualdades socioeconômicas. Mais recentemente, a aprendiz de kitesurfer e amante de samba ajudou a fundar a Vox Capital, fundo de capitais para estimular pequenas empresas que atendem populações de baixa renda. E atualmente esta entusiasta de “músicas que fazem pensar” é uma das principais defensoras do setor 2.5. Em sua palestra, ela contou o que é esse novo setor e como a colaboração se encaixa nessa novidade.
Luiz Felipe d’Avila

Jornalista por formação, editor e dono de editora por ocupação e escritor por paixão, Luiz Felipe d’Avila se arroga uma tarefa difícil: por meio da organização não-governamental Centro de Liderança Pública, quer ensinar a políticos e líderes brasileiros questões como gestão pública e ética. Já escreveu seis livros de história e política. Para o mais recente - “Cosimo de Medici: Memórias de um Líder Renascentista”, a inspiração veio durante a visita a um mosteiro da Toscana, região italiana onde o líder político do século XVIII nasceu. Graduado em ciências políticas pela American University in Paris e pós-graduado em administração pública pela Universidade de Harvard, sua vida durante muito esteve ligada ao jornalismo: foi editorialista dos jornais Gazeta Mercantil e Estado de São Paulo, comentarista político das TVs Manchete e Record e fundou a Editora D’Avila, responsável pela publicação de revistas como República e BRAVO. Paralelamente, sempre cultivou o gosto pela análise e a crítica política, tendo se tornado diretor do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional. Como a gestão política pode ser ética e como podem se formar lideranças transformadoras foram os temas de sua palestra no TEDxSudeste.
a visita a um mosteiro na
Luiz Fernando Baricelli
Ele se chama Luiz Fernando Pecorari Baricelli, tem 38 anos de idade, é irrequieto, pensa e fala bastante e se assume como um sonhador de carteirinha – acha que todo ser humano deveria ter como meta contribuir de alguma forma para o planeta, mesmo que seja como agradecimento por tudo o que recebe. E olha que ele tem bastante a agradecer: é (bem) casado, pai de três filhos (Vittorio, Vicenzo e Rúbia) e tem uma profissão estável. Também é um amante da tecnologia e tudo o que ela proporciona – chegou a ingressar na faculdade de Processamento de Dados, mas enveredou por outra profissão. Porém, a paixão pela tecnologia como usuário ficou: quando conversou com o TEDxSudeste pela primeira vez, por exemplo, estava numa fila para comprar uma impressora 3D. Além das inovações techie, também é aficionado por projetos sociais e já trabalha há anos em programas ligados à educação. Mas estava inquieto em busca de uma ação que impactasse a sociedade de alguma forma e, dessa inquietação, surgiu a ideia de um projeto que une os três setores da sociedade – governo, ONGs e iniciativa privada – e usa a tecnologia (mais particularmente, softwares, um banco de dados e, para unir pessoas em prol da causa, uma grande rede social na internet) para ajudar a resgatar crianças desaparecidas. Foi sobre isso que falou no TEDxSudeste.
Marcelo Yuka
O que não falta é história para contar quando se fala de Marcelo Yuka. Grande responsável pela linha ideológica que O Rappa adotou ao se lançar, na década de 90, ele era bateirista e principal letrista da banda. Colocava na música uma revolta poética que tentava achar todas as cores escondidas na rotina e buscar o que sobrou do céu. Injustiças, paradoxos, incongruências e violência urbana eram sua grande matéria-prima. Acabou sendo vítima dessa mesma violência urbana e, em 2001, um tiro disparado por um assaltante o deixou paraplégico. Pernas paralisadas; mente, não. A crítica ao cotidiano, a carga social, a revolta poética continuam e Yuka foi do Rappa ao F.UR.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Operários), fazendo mais que música: criou uma ONG em que pode empreender ações que combinem com toda a sua crítica. Recentemente, a violência voltou a beter de frente com Yuka, novamente assaltado. Diz que não se importou com o fato e nada vai mudar em sua vida. “Toda pessoa lesada é perigosa, porque sabe que pode sobreviver”, costuma dizer. Foi sobre isso e muito mais que falou no TEDxSudeste, em sua palestra com o tema “o corpo”.
Pedro Franceschi
Ele tem apenas 13 anos, mas foi capaz de abalar uma empresa do porte da Apple. O que ele fez? Mais conhecido na Web como pH, Pedro Franceschi é um renomado desenvolvedor de aplicativos para iPhone e iPod e também um ex-hacker dos mesmos aparelhos. Em 2008, foi responsável pelo desbloqueio de muitos deles, inclusive fora do país – com o dinheiro que cobrava dos conhecidos pelo desbloqueio, R$ 50 de cada, ele comprou seu primeiro iPhone. O jovem gênio, cujo interesse por programação começou aos oito anos de idade, ganhou notoriedade no mundo dos geeks ao criar utilitários que facilitavam a vida daqueles que compravam iPhones e buscavam, digamos, “liberdade” para os aparelhos. Acabou sendo aceito como membro do iBlogeek.com, respeitada comunidade de mestres da programação voltada para o mundo Apple. Um ano depois do desbloqueio do iPhone ele já tinha dezenas de aplicativos disponíveis na Web. Duas ferramentas criadas por ele fizeram particular sucesso, principalmente na blogosfera internacional: o Quick2gPwner, primeira ferramenta simplificada com interface gráfica para Jailbreak de iPod Touch 2G do mundo, e o QuickOiB, para instalar o iPhone Linux de forma simples. Em sua palestra, Pedro contou suas façanhas e seus novos projetos, que inclui um aplicativo do TEDxSudeste para iPhone.
Rodrigo Pimentel
“Pai” do Capitão Nascimento, ele abandonou a Polícia Militar para lutar com outra arma – a palavra. Autor do livro Elite da Tropa, que inspirou o famoso filme Tropa de Elite, ele começou a se encantar por cinema em 1999 quando foi designado para acompanhar as filmagens do documentário Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles. Sua participação foi criticada por falar a verdade. Depois disso, durante os dois anos que ainda continuou na corporação, foi preso diversas vezes pelo mesmo motivo. Em 2001, pediu pra sair. Deixou o Batalhão de Operações Especiais (Bope), encerrando um período de 11 anos na PM. Pós-graduado em sociologia urbana, tornou-se consultor em segurança, escritor e produtor de cinema. Co-produziu o filme Ônibus 174, baseado na história real ocorrida em junho de 2000, e foi inspiração e consultor de Tropa de Elite. Atualmente, começou a filmar Tropa de Elite 2, com o mesmo diretor do primeiro filme, José Padilha. Entrou de cabeça no cinema de ficção, onde achou uma forma de mostrar – e não pede pra sair. No TEDxSudeste, falou sobre como segurança pública tem saída.
Rodrigo Baggio
Ele conhece mais de 30 países e na maioria esteve como evangelizador da causa da inclusão social através do uso da tecnologia. Rodrigo Baggio coleciona ambiguidades: é disléxico e aprendeu a ler com a ajuda de gibis – mas palestrou em palcos como os da Casa Branca e do Fórum Econômico Mundial. É hiperativo – mas adora um local inóspito e solitário, seja a Amazônia ou Petra, na Jordânia. Busca a paz, mas não consegue ficar parado na própria mesa por muito tempo. Já sofreu dois sequestros-relâmpago: um no Peru de Fujimori e outro no Egito. Escapou ileso para continuar um trabalho que vem executando há quinze anos, quando criou o Comitê para a Democratização da Informática (CDI), ONG que nasceu de uma ideia de Rodrigo e hoje está em 13 países, incluindo Inglaterra, Estados Unidos e Jordânia. Rodrigo tem muitas ideias, o tempo todo. E um networking de dar inveja: ele é um verdadeiro hub humano. Também tem uma capacidade de realização impressionante e pensa tão grande quanto os seus 1,96m de altura. Não à toa, conseguiu amealhar parceiros incríveis para a organização que criou e formou mais de 1,3 milhão de pessoas oferecendo cursos de informática, cidadania e empreendedorismo. Tanto trabalho é reconhecido internacionalmente: já recebeu prêmios de organismos internacionais como ONU, Unesco, Unicef, Fórum Econômico Mundial, CNN, Time e Clinton Global Initiative, entre outros. No TEDxSudeste, Rodrigo fez o de sempre - ter ideias – e falou sobre sua “e-topia” de transformação de vidas através da tecnologia.
Ronaldo Monteiro
Ex-sequestrador, ex-detento, ex-aluno que virou professor de informática. Ronaldo Monteiro é daqueles que não deixam o peso do passado atrapalhar em nada. Enquanto cumpria pena, frequentou a Escola de Informática e Cidadania do CDI, foi capacitado e tornou-se educador. Cresceu o cargo e a auto-estima. Com isso, teve pique para criar uma oficina de reciclagem de papel, em benefício dos internos e seus familiares e ajudou a criar o projeto Uma Chance, para implantar oficinas permanentes no presídio. Tão logo ganhou liberdade, fundou o Centro de Integração Social e Cultural (CIsc), localizado em São Gonçalo (região metropolitana do Rio) para levar informática e outros conhecimentos a públicos da periferia. No momento, tem muito a comemorar no presente: acaba de lançar a Incubadora de Empreendimentos para Egressos (IEE), para fazer qualificação profissional e desenvolvimento de negócios com foco exclusivamente em ex-detentos. Agora é esperar para ver o que ele vai inventar no futuro.
Russ Rive
Nascido, criado e formado na África do Sul, esse engenheiro eletrônico filho de uma empresária dona de um complexo de homeopatia, saúde, esportes e dança (onde ele chegou a dar aulas de Foxtrot) fala português com sotaque puxado no inglês, tem um filha brasileira, Nina, e é casado com uma das mais conceituadas designers brasileiras, Liana Vital Brazil (neta do criador do soro antiofídico). Tendo passado anos no Canadá, Russ acabou indo parar no Vale do Silício, onde criou empresas de sucesso. A última, Everdream, foi vendida para a Dell. Determinado dia, em pleno Burning Man, festa-acampamento na qual os nerds engravatados do Vale do Silício soltam suas amarras em busca de uns dias longe dos bits e bytes, ele conheceu Liana, que à época fazia mestrado na Universidade de Nova York. Apaixonado, largou tudo quando ela voltou para o Brasil. Uma vez no Rio de Janeiro, decidiu tirar um ano sabático, que durou uma semana. Enquanto Liana fazia instalações multimídia em eventos Brasil afora, Russ decidia o que fazer da vida. Da mãe dele veio a bênção: por que não casarem também no trabalho? Nascia, ali, a empresa SuperUber, uma das mais requisitadas do eixo Rio-São Paulo – é responsável pela mais ousadas e criativas cenografias e instalações multimídias de exposições e eventos. Da experiência de Russ com o software e a criatividade de Liana com as artes, um casamento perfeito se formou. E grandes ideias nasceram. E algumas ele mostrou no TEDxSudeste, onde abordou interatividade, inovação, convergência, colaboração e intuição.
Sergio Cabral Cavalcanti
Ele já foi o fotógrafo oficial da lua-de-mel de um Emir da Nigéria, país no qual passou dois anos. Em plena savana saariana, promoveu (a exemplo do que já tinha feito na favela carioca Rocinha) a inclusão digital de milhares de cidadãos, a convite deste mesmo Emir. Os dois se conheceram no Hotel Copacabana Palace, quando o religioso nigeriano se encantou com uma palestra de Sérgio. Na Nigéria aprendeu a comer no chão, com a mão e chegou a passar fome e perder 15 quilos. Na Líbia, passou quatro meses realizando o mesmo trabalho – usando satélite e tecnologia Power Line Communication (PLC) para conexão à internet em pleno deserto. Fundador e presidente da empresa de inovação IdeaValley, localizada num oásis nas proximidades de Petrópolis, Rio de Janeiro, ele já faltou a uma reunião com Bill Gates (preferiu esquiar) e trabalha com produtos de tecnologia revolucionários, ao estilo Professor Pardal. O pioneirismo se prova: é dele a primeira patente de wi-fi do mundo e, também, a tecnologia usada por 80% dos jornais digitais brasileiros. Filho de militar, passou no vestibular de engenharia civil, migrou pelas graduações de Física, Química, Engenharia da Computação mas acabou mesmo bacharel em informática, com mestrado Honoris Causa em Biomedicina.
Teresa Costa d’Amaral
Uma irmã com paralisia cerebral, um irmão assassinado, um sobrinho com Síndrome de Down, um pai famoso e inspirador. Foi essa receita que moldou Teresa Costa d’Amaral, militante apaixonada pela causa das pessoas com deficiência. Na infância, ela aprendeu a conviver com a diferença e a não ser indiferente a causas sociais. Na juventude, se formou em Direito e aprendeu a conhecer e garantir direitos. Há 12 anos, criou o Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD). “A consciência da cidadania usurpada, o entendimento da necessidade do uso dos caminhos legais existentes e a crença na imprescindível participação da sociedade para a construção de um Brasil mais justo me levaram a idealizar o IBDD”, conta.
Filha de Odylo Costa Filho, busca até hoje inspiração na irmã Maria Aurora, de sorriso bonito mesmo com a deficiência. Defende que pessoas com deficiência não podem ser expostas como em um show de horrores e devem ter o lado positivo ressaltado. É deste jeito que trata as mais de 40 mil pessoas que procuram o IBDD. E o que isso tudo tem a ver com colaboração? É o que ela mostrou na palestra sobre “A violência do favor”.
Vasco Furtado
Ele é professor em computação da Universidade de Fortaleza, com doutorado em Inteligência Artificial na Université d’Aix Marseille III, França, e pós-doutorado na Universidade de Stanford, EUA. Com tudo para ficar somente no academicismo, Vasco Furtado resolveu colocar o conhecimento em prática numa seara bem distante: o setor público.
Foi assim que o cearense abandonou as quadras de basquete – chegou a disputar campeonatos juvenis e só não se profissionalizou porque seus 1,75 m não eram suficientes – e ganhou cargos públicos na área de TI em segurança pública. Criou e ganhou prêmio pela delegacia eletrônica em Fortaleza (CE), que permite ao cidadão fazer um boletim de ocorrência pela internet. Hoje, este admirador do violino de Jean-luc Ponty e da harpa de Andreas Vollenweider comanda o WikiCrimes e o WikiMapps – projetos que juntam colaboração, cidadania, bits, bytes e poder público. Na palestra “particpação popular através de mapas colaborativos”, ele mostrou como tudo isso pode ser posto em prática.
Vilma Guimarães
No Amazonas, o termo Igarité é dado às canoas de madeira que fazem o transporte da população ribeirinha. Para Vilma Guimarães, gerente-geral de Educação e Implementação da Fundação Roberto Marinho, considerada uma das melhores educadoras do Brasil, Igarité é mais que uma palavra: é uma ideia levada a cabo de forma inovadora, em prol da educação.
Recifense arretada dona de sotaque forte e personalidade firme mas acolhedora, bem ao estilo mãezona, Vilma é torcedora do Náutico e apaixonada por Pernambuco e seu povo. Paixão que só perde para a causa que abraçou: a melhoria da qualidade da educação no país e a luta para acabar com deficiências como a defasagem idade/série, um dos grandes problemas das políticas públicas do setor.
Do alto da experiência de quem já foi professora, coordenadora pedagógica, diretora de escola, dentre outras funções sempre ligadas à Educação, é na sala-de-aula que Vilma encontra sua inspiração. E é de lá que surgiu uma ideia que deu frutos incríveis, os quais ela compartilhou no TEDxSudeste.
Viviane Mosé
Decifrar a complexidade da ciência chamada Filosofia (do grego Philos = que ama; Sophia = sabedoria) e interpretá-la usando uma linguagem que todos conseguem entender: esta pode ser considerada a sina (ou missão) de uma capixaba adotada pelo Rio de Janeiro em 1992. Viviane Mosé não só pensa muito como respira, escreve e ensina filosofia. Psicóloga, psicanalista e especialista em “Elaboração e implementação de políticas públicas”, a moça também é mestra e doutora em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Credenciais não faltam, mas ela ficou conhecida do grande público através da série “Ser ou não ser”, que foi ao ar no “Fantástico”, da TV Globo, fazendo exatamente aquilo que gosta – decifrando a Filosofia como ciência e tornando-a palatável para os meros mortais. Viviane também é escritora, poeta e, como não podia deixar de ser, tem ideias incríveis a compartilhar com o mundo. Algumas delas ela compartilhou na palestra sobre “o valor da mudança”.
Vik Muniz
Ele já foi bartender de boates e restaurantes, professor de desenho e consertava molduras e quadros antigos numa loja em Nova York. Chegou a pintar alguns retratando batalhas navais e confessa que sonha com formigas montando obras de arte. Dia desses, entrou numa loja na Big Apple e se deparou com um trabalho seu de início de carreira sendo vendido por US$ 3.500 – quando o concebeu, ele não saía por mais de US$ 350. Falante e disperso, Vik Muniz tem a cabeça na lua. Se lá houvesse arte, é claro. Este paulista (que tem fama de mineiro) já rodou o mundo, é mestre na cozinha, está fazendo aula de moto-escola, adora música africana e funk carioca e ri quando é indagado sobre o que faz quando não está trabalhando. Foi usando e abusando dos materiais inusitados – quadros que brincam com comida e mosaicos inusitados, dentre outros – que Vik conquistou o mundo. Hoje, é um dos mais celebrados artistas internacionais, chegando a ter uma ala do MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) inteirinha dedicada à sua criação. Para ele, qualquer coisa é arte – um tapete, uma cortina, um pedaço de pano com circuitos integrados. Agora anda fascinado por luz. Melhor: busca um substituto para as lâmpadas. E tem trabalhado nisso no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde também faz obras de arte que usam como matéria-prima bactérias! Mas se engana quem pensa que Vik só pensa em sua própria genialidade. No TEDxSudeste ele contou sobre a experiência exitosa de juntar arte, cinema e trabalho social com catadores de materiais recicláveis.































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